AUDIENCIA DA ASSOCIAÇÃO CONCEDIDA PELO GRUPO PARLAMENTAR DO BLOCO DE ESQUERDA

Abr 13, 2016

A Associação Amigos da Grande Idade iniciou a sua ronda de pedidos de audiência aos grupos parlamentares a exemplo do que vem acontecendo em todas as legislaturas, com a audiência concedida pelo Bloco de Esquerda.

A Associação, representada por Rui Fontes, José Pedro e António Ilhicas, foi recebida pela deputada Domicília Costa, secretariada por Joana Neto.

Tivemos oportunidade de fazer um breve resumo da atividade da Associação e apresentar as nossas maiores preocupações que se continuam a prender com questões estruturais na área do envelhecimento, destacando-se a legislação desajustada a novas realidades e a falta de planeamento e estratégia para alterarmos a forma de envelhecer em Portugal.

A deputada Domicília Costa transmitiu-nos o seu acordo com estas preocupações, colocando-se à disposição para a participação em eventos e iniciativas da Associação que possam contribuir para um melhor envelhecimento no nosso País.

Decidiu-se ainda manter a comunicação entre a Associação e o Grupo parlamentar, existindo disponibilidade do Bloco de Esquerda para tomar iniciativas no parlamento que se julguem importantes.

A Associação fez a entrega do documento “Recomendações para a Longevidade” cuja apresentação e lançamento foi feita na Assembleia da Republica com a participação e colaboração unanime de todos os grupos parlamentares. Este documento servirá de base para muita da ação que a Associação planeia para este ano.

A próxima audiência está já marcada e será com o Grupo Parlamentar do Partido Socialista.

Ler mais

Marcelo Rebelo de Sousa é o primeiro presidente da República Portuguesa da geração BABY BOOMER

Mar 21, 2016

Tomou posse o Professor Marcelo Rebelo de Sousa como o 20º Presidente da República Portuguesa.
O atual Presidente é o primeiro cidadão a ocupar este cargo que pertence à geração Baby Boomer, a geração que mudou o Mundo e que introduziu as maiores alterações nas sociedades e que se caracterizou como a “onda de choque”.
A Associação Amigos da Grande Idade há muito que espera que os homens e as mulheres desta geração comecem definitivamente a fazer a diferença e recentemente alertou para o fenómeno de que esta geração tinha começado a completar os 65 anos e era a nova geração de pessoas idosas. Substitui uma geração designada por silenciosa e que permitiu que construíssemos modelos desrespeitosos, sem que os seus mais fundamentais direitos fossem assegurados.
A geração baby Boomer nasceu entre 1946 e 1964 e foi ela que introduziu os grandes sistemas de segurança social no mundo, os direitos do trabalho, a libertação da mulher e a conquista da igualdade, os mais desenvolvidos sistemas democráticos, a tecnologia e que lutou pelo direito à felicidade. Uma geração extraordinariamente empreendedora, ambiciosa mas solidária. Os baby boomers estão associados à rejeição ou redefinição dos valores tradicionais.
Renovamos pois a esperança de termos nos próximos anos um Presidente capaz de entender o fenómeno do envelhecimento e de contribuir para uma nova abordagem.
O professor Marcelo Rebelo de Sousa colaborou com a Associação Amigos da Grande Idade, ainda que forma indireta quando da realização do Congresso nacional da Grande Idade, escrevendo um texto para uma publicação da Associação que temos agora oportunidade de voltar a divulgar no nosso portal.
Desejamos pois que o novo Presidente marque a história nesta área que tem sido tão descriminada e que quando é tratada serve apenas interesses corporativos ou mediáticos para atingir outros fins.
Queremos envelhecer no nosso país mas com modelos de intervenção diferentes, mais justos, ajustados e que contribuam para a nossa felicidade e não para a nossa imobilidade e dependência.
Vamos ter anos para incomodar o novo Presidente da República e a Associação não irá perder essa oportunidade porque sabemos que estamos a incomodar uma das pessoas que pode transformar o envelhecimento em Portugal.
Transcrevemos aqui o texto oferecido à Associação Amigos da Grande Idade pelo Professor Marcelo Rebelo de Sousa quando da realização do Congresso Nacional da Grande Idade:

1- Portugal está a envelhecer? Parece óbvio. Basta olhar para os indicadores económicos, sociais e culturais.
A Europa, sobretudo a Europa Ocidental, está, ela própria, em alguns casos, mais velha? Embora com diferenças nacionais não desprezíveis, pode afirmar-se que sim, que tem experimentado uma tendência de envelhecimento, sobretudo numa apreciação de muito longo prazo e ponderando atitudes, reações e mecanismos de ajustamento institucional.
O mundo que emerge, de forma mais visível nas últimas duas ou três décadas, apresenta sinais opostos aos enunciados? A leitura mais comum confirma essa evolução, ainda que as medidas e as justificações sejam muito variadas.

2- Neste contexto, há quatro ou cinco reflexões que se me afiguram pertinentes e abonam a visão de quantos organizaram o Congresso de 2013 e promovem a presente edição.

Primeira: mais vale prevenir que remediar, o que significa que as questões sociais melhor se enfrentam com antecipações do que com remédios ou remendos de emergência.

Segunda: entre nós, tempo demasiado andámos alheios a esta problemática, deixando correr os anos de aparente euforia, para termos agora de nos sobressaltar em tempos de privação.

Terceira: em rigor, nenhum dos principais agentes políticos e sociais passa esta questão à frente das respeitantes aos sectores mais mobilizados e mais intervenientes da comunidade, o que implica serem os mais idosos um exército de reserva de sacrifício e de indiferença por vezes chocante para os poderes públicos, sabendo como sabem a sua vulnerabilidade e o seu escasso acesso à arena do debate cívico.

Quarta: só que essa postura, fácil, alimenta processos cumulativos de mais sacrifício igual a maior dependência, maior dependência igual a mais sacrifício, e assim sucessivamente, até se atingirem patamares de manifesta violação da dignidade do valor ético e constitucional fundamental da dignidade da pessoa humana.

Quinta: quando se atingem tais patamares, ou se fica perto deles, torna-se dificílimo inverter políticas ou mesmo encontrar remédios ou remendos que comportem o regresso ao respeito do valor questionado e criem dinamismos sociais enquanto se põe de pé e produz efeito uma política consistente de natalidade.
Até porque-ponto crucial-não há política credível de natalidade que possa assentar ou coabitar com políticas de esquecimento ou sacrifício sistemático dos mais idosos. Não há pior motivação para a natalidade do que o exemplo da vida abaixo de padrões minimamente aceitáveis por parte dos mais velhos. Cada potencial progenitor facilmente imaginará a indiferença com que a sociedade o tratará daí a umas décadas-cada vez mais curtas, atendendo à elevação da idade da primeira paternidade ou maternidade- olhando para o descaso para não dizer sensação de peso morto com que a mesma sociedade já trata, no presente, os que, a seu ver, estão a viver tempo demais.

3- Estas breves reflexões atestam a importância da iniciativa ora divulgada e impõem muitas mais, no mesmo sentido.
Pode parecer clamar no deserto. Mas, como a água em pedra dura- assegura o nosso povo-tanto dá até que fura…

Ler mais

DECLARAÇÃO PUBLICA DA ASSOCIAÇÃO AMIGOS DA GRANDE IDADE

Mar 8, 2016

APOIO À CRIAÇÃO DA DIREÇÃO NACIONAL DE DIRETORES TÉCNICOS

Nasceu a DNDT – Associação nacional de Diretores Técnicos e a Direção da AAGI quer publicamente apoiar esta iniciativa que poderá alterar o panorama nacional dos equipamentos e serviços destinados a pessoas idosas.

 

A função de Diretor Técnico está desprestigiada, desautorizada e falsamente legislada. Há muito que a AAGI levantava esta questão afirmando que sem direções técnicas capazes não existe a necessária alteração na qualidade dos serviços e nos modelos de oferta para a institucionalização.

Esta situação é tão grave que não faz parte de alguns acordos coletivos de trabalho a existência da função, levando ao ridículo a legislação que obriga a ter um diretor técnico.

 

É fundamental definir competências, construir conteúdos funcionais e determinar a autoridade técnica destes profissionais que são quem dirigem as Instituições e entidades, quem sofre a insuficiência de autoridade e quem suporta as exigências e os desafios do envelhecimento de milhares de pessoas idosas.

A Associação Amigos da Grande Idade declara assim o seu apoio a esta nova entidade, desejando que inicie um caminho que contribua para uma prática de maior qualidade, mais preocupada e mais eficaz, assumindo o extraordinário conhecimento que as pessoas que exercem a função de diretor técnico têm.

 

Ler mais

PARCERIA DE EXCELENCIA

Mar 7, 2016

A PALCO OBRIGATÓRIO é uma Associação Cultural que produz espetáculos e desenvolve projetos nas áreas do entretenimento e artística.
Tem mais de uma dezena de espetáculos em carteira com sucessos significativos.
É uma produtora que cria espetáculos à medida do cliente ou das necessidades e dai a parceria que agora inicia com a Associação no sentido de poder criar espetáculos em que o principal assunto seja o envelhecimento. Uma nova porta de comunicação na qual depositamos muitas expectativas já que a mensagem passada através do teatro, do cinema ou de outras formas artísticas é mais facilmente assimilada.
 
A Associação Cultural Palco Obrigatório é dirigida pelo ator Luís Lourenço que há muito acompanha a Associação e há muito se preocupa com as pessoas mais velhas. Neste moimento prepara-se uma peça de teatro que fala nas burlas e problemas de segurança destas pessoas muitas vezes á mercê de todas as formas de más práticas ilegais.
A Associação fica assim com um parceiro que apresenta extraordinária facilidade em chegar aos recantos mais remotos do nosso país através de uma forma de arte muito apreciada em Portugal e pouco divulgada nessas zonas: o teatro.
Trata-se de uma parceria há muito idealizada e agora, finalmente concretizada.
 

Consulte

https://www.facebook.com/palcobrigatorio/info?tab=page_info
 

Ler mais

Revista Reviver – Novo Parceiro da Associação

Mar 7, 2016

A Associação Amigos da Grande Idade vai iniciar uma parceria com a Revista Reviver administrada por jovens muito atentos ao fenómeno do envelhecimento e que sem pretensões desmedidas e qualquer apoio institucional consegue dar voz a um dos maiores grupos de cidadãos deste país: as pessoas mais velhas.

 

A administração da revista Reviver pretende que a Associação possa divulgar a sua publicação, inteiramente destinada ao público sénior e a quem trabalha na área do envelhecimento. Para além das participações pontuais da Associação na opinião daquela revista, com publicação de textos que possam contribuir para maior esclarecimento de algumas questões, é objetivo desta parceria a realização de algumas iniciativas que muito podem vir a surpreender na área da comunicação.

 

A mensagem falada é um dos principais objetivos, tentando chegar até aos mais velhos através das tecnologias mais evoluídas. Mas também esperamos poder organizar alguns eventos de divulgação que tratem do envelhecimento.

 

A revista Reviver nasceu em Abril de 2013, contando já com 3 dezenas de edições, com periodicidade mensal.
Representa já um documento essencial para consultar e perceber as novas necessidades do envelhecimento.
Sem quaisquer apoios materiais ou financeiros, junta-se agora à associação na tentativa de que esta colaboração possa de alguma forma contribuir para a sustentabilidade deste projeto já bem assente mas com dificuldades de sustentabilidade. A procura de apoios e patrocinadores é uma das maiores necessidades, mas também a divulgação da opinião e das iniciativas da Associação é um dos principais objetivos.


Aconselhamos vivamente a consulta a esta excelente publicação:

 
http://revistareviver.blogspot.pt/2013_06_01_archive.html
 
https://www.facebook.com/REVISTAREVIVER/
 

Ler mais

A Felicidade depois dos 60 anos

Fev 2, 2016

“[…] I could be handy, mending a fuse/When your lights have gone/You can
knit a sweater by the fireside/Sunday mornings go for a ride/Doing the
garden, digging the weeds/Who could ask for more?/Will you still need me,
will you still feed me/When I’m sixty-four?”2

The Beatles (When I’m sixty-four?)

Sempre gostei muito desta canção dos Beatles e, quando a ouvi pela primeira vez, teria os meus 15 anos, pensei que seria muito velho quando tivesse 64 anos. Felizmente estava enganado, pois vou fazer 64 anos este ano e não me sinto nada velho. As coisas mudaram muito nos últimos 40 anos e os 64 de então não são os 64 de agora. Creio que se os Beatles escrevessem a canção agora, mudariam os 64 para 84 e quando eu fizer 84, direi que mudariam para os 94. Envelhecer sem ficar velho é um grande privilégio, só acessível aos que buscam a sua felicidade, independentemente da idade. Ser velho, é na sua essência, deixar de desejar e quem busca a felicidade, deseja sempre ser mais feliz.

Vem isto a propósito da minha última crónica, publicada em Dezembro, sobre “as curvas da felicidade”3, onde mostrava que o pico mínimo da felicidade ocorria entre os 51 e os 60 anos. Mas enquanto nos países escandinavos – mais felizes – e na Europa do norte e do centro, a felicidade aumentava até aos 70 anos, superando mesmo os valores dos mais novos, em Portugal mantinha-se praticamente estável até aos 60 anos e a partir daí descia abruptamente. Muita gente me contactou, então, para saber o que é que devia fazer depois dos 60 anos, para ser feliz. Como não gosto de emitir opiniões baseadas no que é que eu acho – como é apanágio de tantos comentadores da nossa praça – fui “perguntar” ao Inquérito Social Europeu como eram os portugueses mais felizes, com mais de 60 anos.

A primeira constatação é interessante e permite ser optimista. Com efeito, os dados mostram que a percepção da felicidade decresce com a idade, mas depois dos 60 anos, 44% dos portugueses ainda se consideram muito felizes4 e são estes, apenas estes, que me interessa conhecer melhor.

Felicidade em Portugal, por escalão etário.

FelicidadeEmPortugal

 Fonte: European Social Survey, – Portugal 2002-2012 (N=12 463)


Retrato sociológico dos portugueses mais felizes, com mais de 60 anos

A maioria é do sexo feminino (54,4%); vive na Região Norte (40,2%); é casada (76,7%); tem baixa escolaridade (73,2% têm apenas até 4 anos de escolaridade concluídos); está reformada (72,6%); e considera que o rendimento do agregado familiar “dá para viver” (53,7%).

Relativamente à religião, a maioria diz que é católico (96,9%), participa em serviços religiosos pelo menos pelo menos uma vez por semana (36%) e reza todos os dias (48,2%).

Em termos políticos, a maioria auto posiciona-se politicamente ao centro-direita/direita (42,6%), não se interessa por política (36,8%), vota (85,5%) e simpatiza com um partido político (64,3%). O PSD (46,8%) e o PS (41,1%) são os partidos com que mais simpatizam. Não confiam na Assembleia da República (57,1%), na Justiça (56,6%), nos Políticos (80%) e nos Partidos políticos (80,1%), mas confiam na Polícia (76%). Estão insatisfeitos com o Governo (766,3%) e com o estado da Economia (79,6%), mas estão satisfeitos com o funcionamento da Democracia (52,2%). Avaliam como mau o estado da Educação (50,3%) e dos Serviços de saúde (51,2%).

Consideram que o seu estado de saúde é razoável (50,7%) e 32,2% dizem que é bom. Estão satisfeitos com a sua vida (74,6%) e são optimistas relativamente ao futuro (62%).

Cabe agora ao leitor a comparação de si próprio com este “retrato” e tirar as devidas ilações. Eu já o fiz e, sinceramente, não me revejo minimamente nos traços dominantes aqui apresentados, embora sejam muito mais “simpáticos” do que os dos infelizes, de que tratarei em próxima crónica. Mas considero-me muito feliz. Ou seja, como diz o povo: não há regra sem excepção. Serei uma excepção e essa percepção contribui para a minha auto-estima e a minha felicidade.

Sejam felizes, busquem a vossa felicidade e não deixem de desejar.

Rui Brites 1

 

Publicada em 29-01-2016 | Diário as beiras – Opinião, pág 17

http://www.asbeiras.pt/Edicao_Diaria/diario.php?Link=5e790ba9f43160f14a6c8bb335a38995%2627409%26CLT0%26TMP10000909%2620160129


1 Sociólogo e professor universitário (rui.brites@outlook.com)

2 https://www.youtube.com/watch?v=vAzaOZfgf0M

http://www.asbeiras.pt/Edicao_Diaria/diario.php?Link=728c9d165930656105aeda48401eedb6%2624567%26CLT0%26TMP10000909%2620151228

4 Saliente-se que são cerca de 87% na Escandinávia e 80% na Europa do norte e do centro.

Ler mais