Comparar o incomparável: a propósito do Dia Internacional da Felicidade e do Índice de Felicidade das Nações Unidas

Abr 2, 2016

“Há três tipos de mentiras: as mentiras, as malditas mentiras e as estatísticas”

Mark Twain

O dia Internacional da Felicidade, que se comemora no dia 20 de Março, foi instituído por resolução da Assembleia-Geral das Nações Unidas em Junho de 2012. Aquando da primeira comemoração, em 2013, o Secretário-Geral divulgou a seguinte mensagem:

A busca da felicidade está no centro da ação humana. Pessoas em todo o mundo aspiram a uma vida feliz e gratificante livre de medo e privações, e em harmonia com a natureza.
No entanto, para demasiadas pessoas a viver em situação de pobreza extrema, o material básico para o bem-estar ainda está fora do seu alcance. Para muitas mais pessoas, as crises socioeconómicas recorrentes, a violência e a criminalidade, a degradação ambiental e as crescentes ameaças das mudanças climáticas são uma ameaça sempre presente.

Desde então, as Nações Unidas têm publicado o Relatório Anual da Felicidade no Mundo2. Em 2015 Portugal ocupa a posição 94 entre os 157 países avaliados, à frente da Grécia (99), Albânia (109), Ucrânia (123) e Bulgária (129). A posição relativa de Portugal não se estranha, pois é recorrente. Mas já se estranha o facto de estar atrás de países como o Líbano (93), Kosovo (77) e Somália (76).

De acordo com os autores do relatório, o índice de felicidade traduz a resposta dos inquiridos a uma única pergunta sobre a avaliação que fazem da sua qualidade de vida, medida numa escala que vai de 0 (o pior possível) a 10 (o melhor possível). Consideram nas suas análise que o mesmo é explicado pelo PIB per capita, a expectativa de anos de vida saudável, o apoio social da comunidade, a perceção da corrupção, a liberdade para tomar decisões e a generosidade.

Ora, falar de qualidade de vida, de liberdade, de anos de vida saudável e corrupção no Líbano, Kosovo e Somália, será equivalente a falar do mesmo nos países do Ocidente? Não creio e tenho muitas dúvidas que um somali pense nas mesmas coisas que pensa um português quando é questionado sobre a sua qualidade de vida e lhe pedem para se autoposicionar na escala de resposta.

Então o que é que o Índice compara? Compara a resposta dos inquiridos em contextos profundamente desiguais e, por conseguinte, incomparáveis. Se tivermos em conta a mensagem de Ban-Ki-Moon em 2013, percebemos a patetice da comparação.

É caso para dizer, como alguém disse, que a estatística é a forma mais credível de mentira. Mas não é verdade, não é a estatística que mente, é o seu uso inadequado e muitas vezes manipulado, que é mentiroso. Comparar países em estádios de desenvolvimento económico e social tão díspares, não é legítimo. É o problema dos rankings que, como se sabe, não são objectivos na ordenação mas permitem proceder às comparações que dão jeito. Os coeficientes estatísticos têm uma “história” e, sem conhecer o seu contexto, não têm qualquer validade. Ou seja, o ranking da felicidade tal como é “medido” no Relatório das Nações Unidas, não pode ter qualquer efeito prático, situando-se ao nível dos livros e das palestras sobre auto-ajuda. O “estado da arte” sobre a felicidade expresso no chamado “Relatório da Comissão Stiglitz”3 que tinha como objectivo orientar as políticas públicas no sentido de melhorar o bem-estar subjectivo dos povos, considera as seguintes dimensões como determinantes: “Padrões materiais de vida (rendimento, consumo, e riqueza)”; “Saúde”; “Educação”; “Actividades pessoais, incluindo o trabalho”; “Voz política e governação”; “Conexões e relações sociais”; “Ambiente (condições actuais e futuras)” e “Segurança de natureza económica e física”.

Não obstante, não vão faltar análises e interpretações sobre o mesmo. Pelo que já vi escrito na comunicação social, os opinólogos vão lamentar a descida de Portugal no ranking, pois estava em 88o no ano passado. Entretanto a Finlândia está preocupada pelo facto de os reformados finlandeses escolherem Portugal para gozarem a reforma em vez de optarem por fazê-lo no seu país. Também os reformados franceses, ingleses, alemães, suecos e até dinamarqueses, certamente cansados de serem tão felizes nos seus países, escolhem cada vez mais Portugal para viverem e, porventura, serem menos felizes.

Sejam felizes e considerem a busca da felicidade o principal desígnio da vossa vida.

Rui Brites 1

 

Publicada em 30-03-2016 | Diário as beiras – Opinião, pág 21
http://www.asbeiras.pt/2016/03/opiniao-comparar-o-incomparavel/


1 Sociólogo e professor universitário (rui.brites@outlook.com)

2 Disponível em: ( http://worldhappiness.report/).

2 Disponível em: (http://stiglitz-sen-fitoussi.fr/en/index.htm).

 

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Marcelo Rebelo de Sousa é o primeiro presidente da República Portuguesa da geração BABY BOOMER

Mar 21, 2016

Tomou posse o Professor Marcelo Rebelo de Sousa como o 20º Presidente da República Portuguesa.
O atual Presidente é o primeiro cidadão a ocupar este cargo que pertence à geração Baby Boomer, a geração que mudou o Mundo e que introduziu as maiores alterações nas sociedades e que se caracterizou como a “onda de choque”.
A Associação Amigos da Grande Idade há muito que espera que os homens e as mulheres desta geração comecem definitivamente a fazer a diferença e recentemente alertou para o fenómeno de que esta geração tinha começado a completar os 65 anos e era a nova geração de pessoas idosas. Substitui uma geração designada por silenciosa e que permitiu que construíssemos modelos desrespeitosos, sem que os seus mais fundamentais direitos fossem assegurados.
A geração baby Boomer nasceu entre 1946 e 1964 e foi ela que introduziu os grandes sistemas de segurança social no mundo, os direitos do trabalho, a libertação da mulher e a conquista da igualdade, os mais desenvolvidos sistemas democráticos, a tecnologia e que lutou pelo direito à felicidade. Uma geração extraordinariamente empreendedora, ambiciosa mas solidária. Os baby boomers estão associados à rejeição ou redefinição dos valores tradicionais.
Renovamos pois a esperança de termos nos próximos anos um Presidente capaz de entender o fenómeno do envelhecimento e de contribuir para uma nova abordagem.
O professor Marcelo Rebelo de Sousa colaborou com a Associação Amigos da Grande Idade, ainda que forma indireta quando da realização do Congresso nacional da Grande Idade, escrevendo um texto para uma publicação da Associação que temos agora oportunidade de voltar a divulgar no nosso portal.
Desejamos pois que o novo Presidente marque a história nesta área que tem sido tão descriminada e que quando é tratada serve apenas interesses corporativos ou mediáticos para atingir outros fins.
Queremos envelhecer no nosso país mas com modelos de intervenção diferentes, mais justos, ajustados e que contribuam para a nossa felicidade e não para a nossa imobilidade e dependência.
Vamos ter anos para incomodar o novo Presidente da República e a Associação não irá perder essa oportunidade porque sabemos que estamos a incomodar uma das pessoas que pode transformar o envelhecimento em Portugal.
Transcrevemos aqui o texto oferecido à Associação Amigos da Grande Idade pelo Professor Marcelo Rebelo de Sousa quando da realização do Congresso Nacional da Grande Idade:

1- Portugal está a envelhecer? Parece óbvio. Basta olhar para os indicadores económicos, sociais e culturais.
A Europa, sobretudo a Europa Ocidental, está, ela própria, em alguns casos, mais velha? Embora com diferenças nacionais não desprezíveis, pode afirmar-se que sim, que tem experimentado uma tendência de envelhecimento, sobretudo numa apreciação de muito longo prazo e ponderando atitudes, reações e mecanismos de ajustamento institucional.
O mundo que emerge, de forma mais visível nas últimas duas ou três décadas, apresenta sinais opostos aos enunciados? A leitura mais comum confirma essa evolução, ainda que as medidas e as justificações sejam muito variadas.

2- Neste contexto, há quatro ou cinco reflexões que se me afiguram pertinentes e abonam a visão de quantos organizaram o Congresso de 2013 e promovem a presente edição.

Primeira: mais vale prevenir que remediar, o que significa que as questões sociais melhor se enfrentam com antecipações do que com remédios ou remendos de emergência.

Segunda: entre nós, tempo demasiado andámos alheios a esta problemática, deixando correr os anos de aparente euforia, para termos agora de nos sobressaltar em tempos de privação.

Terceira: em rigor, nenhum dos principais agentes políticos e sociais passa esta questão à frente das respeitantes aos sectores mais mobilizados e mais intervenientes da comunidade, o que implica serem os mais idosos um exército de reserva de sacrifício e de indiferença por vezes chocante para os poderes públicos, sabendo como sabem a sua vulnerabilidade e o seu escasso acesso à arena do debate cívico.

Quarta: só que essa postura, fácil, alimenta processos cumulativos de mais sacrifício igual a maior dependência, maior dependência igual a mais sacrifício, e assim sucessivamente, até se atingirem patamares de manifesta violação da dignidade do valor ético e constitucional fundamental da dignidade da pessoa humana.

Quinta: quando se atingem tais patamares, ou se fica perto deles, torna-se dificílimo inverter políticas ou mesmo encontrar remédios ou remendos que comportem o regresso ao respeito do valor questionado e criem dinamismos sociais enquanto se põe de pé e produz efeito uma política consistente de natalidade.
Até porque-ponto crucial-não há política credível de natalidade que possa assentar ou coabitar com políticas de esquecimento ou sacrifício sistemático dos mais idosos. Não há pior motivação para a natalidade do que o exemplo da vida abaixo de padrões minimamente aceitáveis por parte dos mais velhos. Cada potencial progenitor facilmente imaginará a indiferença com que a sociedade o tratará daí a umas décadas-cada vez mais curtas, atendendo à elevação da idade da primeira paternidade ou maternidade- olhando para o descaso para não dizer sensação de peso morto com que a mesma sociedade já trata, no presente, os que, a seu ver, estão a viver tempo demais.

3- Estas breves reflexões atestam a importância da iniciativa ora divulgada e impõem muitas mais, no mesmo sentido.
Pode parecer clamar no deserto. Mas, como a água em pedra dura- assegura o nosso povo-tanto dá até que fura…

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DECLARAÇÃO PUBLICA DA ASSOCIAÇÃO AMIGOS DA GRANDE IDADE

Mar 8, 2016

APOIO À CRIAÇÃO DA DIREÇÃO NACIONAL DE DIRETORES TÉCNICOS

Nasceu a DNDT – Associação nacional de Diretores Técnicos e a Direção da AAGI quer publicamente apoiar esta iniciativa que poderá alterar o panorama nacional dos equipamentos e serviços destinados a pessoas idosas.

 

A função de Diretor Técnico está desprestigiada, desautorizada e falsamente legislada. Há muito que a AAGI levantava esta questão afirmando que sem direções técnicas capazes não existe a necessária alteração na qualidade dos serviços e nos modelos de oferta para a institucionalização.

Esta situação é tão grave que não faz parte de alguns acordos coletivos de trabalho a existência da função, levando ao ridículo a legislação que obriga a ter um diretor técnico.

 

É fundamental definir competências, construir conteúdos funcionais e determinar a autoridade técnica destes profissionais que são quem dirigem as Instituições e entidades, quem sofre a insuficiência de autoridade e quem suporta as exigências e os desafios do envelhecimento de milhares de pessoas idosas.

A Associação Amigos da Grande Idade declara assim o seu apoio a esta nova entidade, desejando que inicie um caminho que contribua para uma prática de maior qualidade, mais preocupada e mais eficaz, assumindo o extraordinário conhecimento que as pessoas que exercem a função de diretor técnico têm.

 

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PARCERIA DE EXCELENCIA

Mar 7, 2016

A PALCO OBRIGATÓRIO é uma Associação Cultural que produz espetáculos e desenvolve projetos nas áreas do entretenimento e artística.
Tem mais de uma dezena de espetáculos em carteira com sucessos significativos.
É uma produtora que cria espetáculos à medida do cliente ou das necessidades e dai a parceria que agora inicia com a Associação no sentido de poder criar espetáculos em que o principal assunto seja o envelhecimento. Uma nova porta de comunicação na qual depositamos muitas expectativas já que a mensagem passada através do teatro, do cinema ou de outras formas artísticas é mais facilmente assimilada.
 
A Associação Cultural Palco Obrigatório é dirigida pelo ator Luís Lourenço que há muito acompanha a Associação e há muito se preocupa com as pessoas mais velhas. Neste moimento prepara-se uma peça de teatro que fala nas burlas e problemas de segurança destas pessoas muitas vezes á mercê de todas as formas de más práticas ilegais.
A Associação fica assim com um parceiro que apresenta extraordinária facilidade em chegar aos recantos mais remotos do nosso país através de uma forma de arte muito apreciada em Portugal e pouco divulgada nessas zonas: o teatro.
Trata-se de uma parceria há muito idealizada e agora, finalmente concretizada.
 

Consulte

https://www.facebook.com/palcobrigatorio/info?tab=page_info
 

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Revista Reviver – Novo Parceiro da Associação

Mar 7, 2016

A Associação Amigos da Grande Idade vai iniciar uma parceria com a Revista Reviver administrada por jovens muito atentos ao fenómeno do envelhecimento e que sem pretensões desmedidas e qualquer apoio institucional consegue dar voz a um dos maiores grupos de cidadãos deste país: as pessoas mais velhas.

 

A administração da revista Reviver pretende que a Associação possa divulgar a sua publicação, inteiramente destinada ao público sénior e a quem trabalha na área do envelhecimento. Para além das participações pontuais da Associação na opinião daquela revista, com publicação de textos que possam contribuir para maior esclarecimento de algumas questões, é objetivo desta parceria a realização de algumas iniciativas que muito podem vir a surpreender na área da comunicação.

 

A mensagem falada é um dos principais objetivos, tentando chegar até aos mais velhos através das tecnologias mais evoluídas. Mas também esperamos poder organizar alguns eventos de divulgação que tratem do envelhecimento.

 

A revista Reviver nasceu em Abril de 2013, contando já com 3 dezenas de edições, com periodicidade mensal.
Representa já um documento essencial para consultar e perceber as novas necessidades do envelhecimento.
Sem quaisquer apoios materiais ou financeiros, junta-se agora à associação na tentativa de que esta colaboração possa de alguma forma contribuir para a sustentabilidade deste projeto já bem assente mas com dificuldades de sustentabilidade. A procura de apoios e patrocinadores é uma das maiores necessidades, mas também a divulgação da opinião e das iniciativas da Associação é um dos principais objetivos.


Aconselhamos vivamente a consulta a esta excelente publicação:

 
http://revistareviver.blogspot.pt/2013_06_01_archive.html
 
https://www.facebook.com/REVISTAREVIVER/
 

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