Retratos Gráficos dos Portugueses II – Confiança política

Nov 20, 2018

Continuação da série que intitulei “Retratos Gráficos dos Portugueses”.

As fontes são os dados de inquéritos vários, com destaque especial para o European Social Survey e Eurobarómetro. Os meus comentários serão minimalistas, pois deixo isso ao vosso cuidado.

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Estes 5 “retratos” mostram a “Confiança política dos portugueses com base nas respostas ao Inquérito Social Europeu, round 8, 2016, aos seguintes indicadores:

  • Confiança na Assembleia da República;
  • Confiança na Justiça;
  • Confiança na Polícia;
  • Confiança nos Políticos;
  • Confiança nos Partidos políticos.

 


 

Rui Brites 1

¹ Sociólogo e professor universitário (rui.brites@outlook.com)

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Retratos Gráficos dos Portugueses

Nov 12, 2018

Inicio aqui uma série que intitulei “Retratos Gráficos dos Portugueses”.

As fontes são os dados de inquéritos vários, com destaque especial para o European Social Survey e Eurobarómetro. Os meus comentários serão minimalistas, pois deixo isso ao vosso cuidado.

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Os primeiros 3 “retratos” mostram como é que os portugueses se avaliam nas respostas ao Inquérito Social Europeu, round 8, 2016 relativamente aos seguintes tópicos:

. Confiança nos outros;
. Honestidade;
. Altruísmo.

Rui Brites 1

¹ Sociólogo e professor universitário (rui.brites@outlook.com)

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As notícias sobre o fim da Família são manifestamente exageradas¹

Out 16, 2018

O que se segue depois da família? Muito simplesmente a família! Apenas diferente, mais e melhor: a família negociada, a família alternativa, família múltipla, novos arranjos depois do divórcio, recasamento, novo divórcio, novas combinações dos teus,meus ou nossos filhos, das nossas famílias passadas e presentes

Elizabeth Beck Gernsheim

Contrariando as teses sobre o fim da família, Anália Torres tem demonstrado nos seus estudos que os processos de transformação da família se constituem como importantes lugares de debate entre o público e o privado e se mantém bastante actuais. Como mostram os dados do Inquérito Social Europeu, entre diversos aspectos da vida em sociedade, a família é mesmo o mais valorizado na vida dos europeus, tanto por homens, como por mulheres:

Importância da Família, Amigos, Tempos livres, Política, Trabalho, Religião e Voluntariado, na vida dos europeus, por sexo (médias)

 

Escala: 0=nada importante; 10=extremamente importante
Mostrando a importância e a prevalência que as pessoas dão à família, estes resultados, que não surpreendem os sociólogos desta área, podem constituir alguma surpresa para um público mais vasto. Ecos persistentes da ideia de crise da família parecem, ao menos superficialmente, contradizer esta hierarquia de valores, que permanece ao longo das últimas duas décadas extremamente consistente, como vários inquéritos têm mostrado. Já a escolha dos amigos e do lazer para segundo e terceiro lugar é possível que constituam alguma novidade, pois relativiza e “desimportantiza” a religião, o trabalho voluntário e a política.
No conjunto dos sete aspectos considerados, verifica-se que são mais as semelhanças do que as diferenças entre homens e mulheres. Com efeito, a ordem de importância de cada um deles é a mesma até à quarta posição, surgindo a falta de consenso na religião, último lugar neles e quinto nelas, e na política, onde se verifica o inverso. Eis um resultado que também tende a contrariar o senso comum. Com efeito, é voz corrente que as mulheres valorizam muito mais do que os homens a família e que apostam muito menos do que eles no trabalho, e que em contrapartida os homens hierarquizariam estes aspectos da vida exactamente da maneira oposta: trabalho primeiro, família depois. Ora o que se passa é que a hierarquia é exactamente a mesma para os dois sexos.
Ainda de acordo com os dados do Inquérito Social Europeu, outro indicador da importância da família para os europeus, neste caso da família mais próxima, confirma estes resultados, com 85,7% dos inquiridos a concordarem que a família mais próxima deve ser a prioridade principal na vida das pessoas. Portugal (81,9%) regista valores inferiores à percentagem média. Saliente-se, ainda, que na sua esmagadora maioria, os europeus consideram que o tempo passado em família é agradável e pouco stressante, mais para elas do que para eles.
Ainda de acordo com os dados do Inquérito Social Europeu, outro indicador da importância da família para os europeus, neste caso da família mais próxima, confirma estes resultados, com 85,7% dos inquiridos a concordarem que a família mais próxima deve ser a prioridade principal na vida das pessoas. Portugal (81,9%) regista valores inferiores à percentagem média. Saliente-se, ainda, que na sua esmagadora maioria, os europeus consideram que o tempo passado em família é agradável e pouco stressante, mais para elas do que para eles.
No entanto, quando saímos do plano dos valores e nos centramos nas práticas, a realidade é bem diferente. Tanto na Europa como em Portugal, são as mulheres que gastam mais tempo em tarefas domésticas no dia-a-dia. Entre os que dizem que não gastam “nenhum tempo ou quase nenhum” com tarefas domésticas, os homens são cerca do dobro das mulheres na Europa e o triplo em Portugal. Ou seja, se no capítulo das tarefas domésticas as mulheres na Europa estão claramente sobrecarregadas em relação aos homens, em Portugal estão ainda mais. Dados do Eurobarómetro mostram que as mulheres gastam em média por semana cerca de 24 horas nas tarefas domésticas e a cuidar das crianças e da família, enquanto os homens gastam apenas cerca de 13 horas. O gap entre homens e mulheres é comum a todos os países e desfavorável às mulheres, significando, por conseguinte, que elas trabalham, em média, mais do que os homens em tarefas domésticas e cuidados familiares. A diferença média no conjunto dos países é de 10,7 horas. Portugal está entre os países com o gap mais elevado (13,5 horas). Como nota Anália Torres: “A discriminação e a sobrecarga feminina nos cuidados com os filhos e com a casa não é novidade, num país que remunerou sempre mais a função produtiva do que a reprodutiva”. Não surpreende assim que em todos os países europeus, sejam os homens que mais dizem estarem satisfeitos com a divisão das tarefas domésticas, 87,9% contra 71% de mulheres. É conhecida a célebre proclamação de Mao Tsé-Tung, de que “as mulheres sustentam a metade do céu”, interpretada como um grito pela igualdade de mulheres e homens, não obstante, no que se refere aos papéis familiares, especialmente na Europa do Sul, mais católica e conservadora, as mulheres “sustentam mais de metade do céu”. A desigualdade de papéis familiares é, aliás, produzida e reproduzida no seio da família. Às meninas oferecem-se brinquedos relacionados com os cuidados do lar – cozinhas, bonecas, etc. – e aos rapazes oferecem-se carrinhos bolas.

Rui Brites 2

¹Mais informação em Brites, R., Valores e felicidade no Século XXI: umretrato sociológico dos portugueses em comparação europeia, disponível em https://repositorio.iscte-iul.pt/handle/10071/2948, p.p. 161-171.
² Sociólogo e professor universitário (rui.brites@outlook.com)

Publicado na Revista [Sem]Equívocos, nº7, Verão 2018


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Lista de Candidatos ao Curso de Pós-Graduação

Out 2, 2018

Lista de Candidatos ao Curso de Pós-Graduação

Foram seleccionados os 22 candidatos à frequência da Pós Graduação em Gestão de Equipamentos e serviços destinados a pessoas idosas 2018/2019.

Este é um grupo de pessoas que muito se distingue na área do envelhecimento em Portugal, disponibilizando tempo e dinheiro para aumentarem a sua formação no sentido de conhecerem e aprofundarem melhores práticas para intervir no envelhecimento e nos seus diversos serviços e cuidados.

Ao longo de 21 sábados vão ter oportunidade de ouvir uma selecção de docentes que irá partilhar os seus conhecimentos com uma componente prática muito elevada, falando daquilo que sabem e da realidade nacional e internacional, especialmente na área do envelhecimento institucionalizado.

Também durante esse período irão desenvolver trabalhos em grupo e individuais no sentido de poderem orientar ou reorientarem a sua carreira e os seus objectivos profissionais.

A Associação muito tem aprendido com esta Pós Graduação, sendo hoje a sua principal formação e levando-nos a acreditar que conseguimos contribuir um bocadinho para melhorar os serviços e os cuidados prestados e oferecidos a pessoas idosas.

Na sessão de abertura iremos ter os presidentes e vice-presidentes da Escola Superior de Saude da Cruz Vermelha e da Associação Amigos da Grande Idade e ainda o Professor Doutor Rui Brites, a voz mais conhecida no país sobre questões da felicidade. E porque a felicidade no envelhecimento nos preocupa, teremos uma pequena palestra sobre se é possível ser feliz no envelhecimento.

Para mais informações e para uma possível candidatura no próximo ano sugerimos a consulta a https://associacaoamigosdagrandeidade.pt/curso/

Este ano os discentes terão acesso a site com toda a documentação e apresentações utilizadas na Pós Graduação, bem como documentação considerada importante e pertinente para o aumento dos seus conhecimentos, apoio on-line, disponibilizado uma vez por semana e apoio presencial sempre que o desejarem por marcação com cada um dos docentes e com o coordenador geral para o desenvolvimento de potenciais projectos individuais e/ou colectivos.

Estamos também a ultimar a realização de algumas sessões à distância facilitando o acompanhamento de todos os participantes e de outros possíveis interessados em temas de sessões pontuais.

Durante a Pós Graduação será também realizado um seminário que juntará uma quantidade significativa de convidados que representam o maior conhecimento sobre envelhecimento existente em Portugal.

A listagem dos candidatos admitidos é a seguinte:

1. Alberto João Leal dos Santos
2. Ana Catarina Correia Lourenço
3. Ana Maria Ramos de Faro Gamboa Alves
4. Ana Paula Marques Gaspar
5. Carla Freitas Pereira
6. Catarina Viana Costa Damásio
7. Cristina Lara de Sousa Gameiro
8. Domingos Jorge Rua Araújo
9. Helena Isabel Carvalho Andrade
10. Hugo Tomás Guerra Palhas
11. Ina Obykhod
12. Isabel Maria Figueiredo Neves
13. Isabel Maria Rodrigues Mateus Fernandes
14. Mafalda Isabel Martins Frazão
15. Manoel Vicente Penha de Lima
16. Maria de Lurdes dos Santos Gonçalves
17. Maria Henriqueta de Oliveira Semedo da Cruz Precatado
18. Maria Madalena Ferreira Marques
19. Marília Fernandes da Silva
20. Matilde Louro Bugalhão
21. Patrícia Raquel e Lozano de Almeida
22. Sara Daniela dos Santos Venceslau
23. Sofia da Conceição Costa Santos
24. Soraia Andreia Duarte Santos Ruivo
25. Susana do Rosário Marques Prates

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Os portugueses gostam da “Geringonça”¹

Jul 17, 2018

Pessoalmente nunca gostei do termo “geringonça” com que a solução governativa foi cunhada de forma infeliz numa crónica de Vasco Pulido Valente. De acordo com o dicionário Priberam³, significa:
“Coisa ou construção improvisada ou com pouca solidez. = CARANGUEJOLA. Aparelho ou mecanismo de construção complexa. = ENGENHOCA. Confundir uma solução governativa legítima contemplada no quadro
constitucional com uma engenhoca,é má fé ou enviesamento ideológico.
Mas os portugueses gostaram manifestamente da solução, como mostram os dados disponibilizados pelo Inquérito Social Europeu⁴. A percepção dos portugueses sobre a sua felicidade, a satisfação com a vida e a satisfação com a forma como o Governo está a governar, atingiu em 2017 valores médios nunca antes registados.
Na satisfação com o Governo, Portugal foi o país europeu onde se registou o maior aumento entre 2014 e 2017, 3,01 e 5,02, respectivamente. Este aumento não tem paralelo com o que se passou entre 2002 e 2014, reflectindo estes valores, sem dúvida, a expectativa positiva com a mudança do governo, pois embora este survey tenha a data de 2016, em Portugal a recolha dos dados ocorreu entre o fim de 2016 e 2017. Ou seja, a opinião dos portugueses sobre a governação está consolidada.
Relativamente à satisfação com a vida e à felicidade, regista-se também um aumento estatisticamente significativo. A posição relativa de Portugal relativamente a estas duas dimensões do bem-estar subjectivo mantém-se relativamente estável desde 2002. Não admira, pois, a percepção do bem-estar subjectivo tem características estruturais e varia pouco ao longo do tempo. No entanto, é de sublinhar o aumento verificado. Note-se ainda que as respostas a questões deste género são muito influenciadas pela idiossincrasia do país. Por norma, os portugueses não respondem nas “pontas da escala”, são moderados nas respostas. Nem se sentem muito mal, nem muito bem, antes assim-assim.
Já a satisfação com o governo é uma dimensão conjuntural, que pode registar um aumento significativo em face de uma situação considerada extraordinária, como é o caso e nada garante que se mantenha se os portugueses se sentirem defraudados nas expectativas que depositaram na mudança de ciclo. Como se sabe, a oposição não ganha eleições, o governo é que as perde. Estes resultados, ao mesmo tempo que traduzem a aprovação da actual solução governativa, traduzem também, uma insatisfação profunda com a situação anterior.
Os quadros seguintes* evidenciam estes resultados:

Rui Brites²

¹Publicado no Diário As Beiras em 13/07/2018. http://www.asbeiras.pt/2018/07/os-portugueses-gostam-da-geringonca/
² Sociólogo e professor universitário (rui.brites@outlook.com)
³https://www.priberam.pt/dlpo/geringon%C3%A7a
http://www.europeansocialsurvey.org .Os dados respeitantes ao round 2016 foram recolhidos em Portugal entre o fim de 2016 e meados 2017.

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