Hipoteca Inversa em Portugal?

Mai 19, 2010

No contexto do Estado Social em que vivemos, o progressivo aumento da esperança de vida e a diminuição da taxa de natalidade constituem dois dos principais factores que obrigam à reforma de qualquer sistema de segurança social, nomeadamente, através da redução dos valores das pensões.

Em Espanha, o governador do Banco de Espana e o presidente da CECA (Confederación Espanola de Cajas de Ahorros) vieram defender, recentemente, o aumento gradual da idade da reforma, tendo este último, inclusive, apontado o limite dos 70 anos.

Em resposta a esta realidade, e ao desejo dos reformados de manterem, ou de assegurarem, um determinado nível de vida, o sector privado oferece diversos instrumentos, entre os quais o da hipoteca inversa (tradução de reverse mortgage, operação financeira nascida nos EUA, e conhecida em Inglaterra como lifetime mortgage).

A hipoteca inversa consiste, em síntese, num empréstimo bancário hipotecário em que, ao invés do habitual, é o banco que tem a obrigação de disponibilizar mensalmente o montante acordado ao mutuário, sem que este tenha o dever de o amortizar. O montante das prestações devidas pelo banco depende, essencialmente, do valor do imóvel a hipotecar e do prazo do crédito ou da idade do mutuário, no caso de operações vitalícias.

No final do empréstimo, nomeadamente com o falecimento do mutuário, os respectivos herdeiros têm a opção de ficar com a propriedade do imóvel, pagando a respectiva dívida hipotecária, designadamente através dum novo empréstimo hipotecário ou, se o entenderem, poderão vendê-lo, ficando com o saldo remanescente. Em última instância, será o banco a vender o imóvel, amortizando o seu crédito com o respectivo produto, e entregando o eventual saldo positivo aos herdeiros.

Importa sublinhar que, se o saldo entre o valor de venda do imóvel e o valor da dívida hipotecária for negativo só os bens da herança responderão pela dívida.

Trata-se, no fundo, de uma forma de tornar líquida a poupança que os reformados possuem sob a forma de imóveis, sem que os mesmos deixem de ser proprietários ou deixem de habitar a sua casa, já que, apesar do nível de poupança de um reformado alemão, francês ou inglês ser semelhante ao de um Português ou Espanhol, aqueles aplicaram-nas em planos de pensões, e estes na sua própria habitação.

Apesar desta operação já se encontrar regulada em Espanha, pela “Ley de Reforma del Mercado Hipotecario”(Ley41 de 7 de diciembre de 2007), até à data o número de contratações aí concluídas não é expressivo, eventualmente, quer por questões culturais, quer também por ainda não ter sido regulamentada a actividade dos assessores financeiros independentes previstos na referida

Ley, regulamentação essa prevista para 2010 e que os operadores do mercado esperam que marque o arranque definitivo deste produto.

Contudo, não se pode esquecer um outro factor não menos importante que impedirá, para já, a massificação deste produto em Espanha: a forte desvalorização dos imóveis, fruto del pinchazo de la burbuja inmobiliaria.

Portugal e Espanha comungam, quanto a este tema, os mesmos factores sociais, económicos e culturais, como por exemplo o facto de 17% das respectivas populações serem constituídas por maiores de 65 anos (com tendência para um acentuado crescimento) dos quais, 90% em Espanha, e cerca de 75% em Portugal, habitam em imóvel de sua propriedade.

É, pois, provável que, mais tarde ou mais cedo, se venha a introduzir em Portugal um regime especial de hipoteca inversa.

                                                                                                                            In “Actualidades, Maio2010”

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1ª Pós-Graduação em Gestão de Equipamentos destinados às Pessoas idosas

Abr 12, 2010

Iniciou-se no passado dia 9 de Abril, a 1ª Pós-Graduação em Gestão de Equipamentos destinados às Pessoas idosas, com uma cerimónia solene realizada no auditório da Fundação D. Pedro IV, em Lisboa.

Esta cerimónia foi o exemplo da mudança que a Associação Amigos da Grande Idade – entidade que apoia o ILG na organização do Curso, pretende introduzir nesta área da formação superior, tendo sido transmitido a grande relação dos conteúdos teóricos com o trabalho que se realiza no terreno. Também a participação do Grupo de Jograis de residentes de um Lar de Idosos (Lar do SBSI/SAMS) e a passagem de um pequeno filme preparado por um desses residentes, introduziu a realidade daquilo que pretendemos partilhar durante o Curso: a necessidade de nos prepararmos para os novos desafios e as novas necessidades trazidas pelo envelhecimento e por uma nova pessoa idosa com um elevado grau de exigência.

Além das intervenções prometedoras dos representantes das várias entidades envolvidas nesta iniciativa (Universidade Fernando Pessoa, Instituto Leopoldo Guimarães e Fundação D. Pedro IV), destacaram-se as intervenções do Presidente e vice-presidente da Associação Amigos da Grande Idade que apresentaram a Pós-Gradação e falaram sobre as expectativas deste tipo de formação. Destacam-se ainda as intervenções das Professoras Doutoras Ana Escoval e Glória Antunes, ambas referindo a importância deste tipo de propostas formativas e da urgência de algumas alterações no panorama da gestão de equipamentos destinados a pessoas idosas.

O ponto alto da cerimónia deu-se com a entrada e intervenção do grupo de jograis do Lar de Idosos do SBSI/SAMS que representa todo um trabalho, no qual a pessoa idosa é o centro das atenções, correspondendo ela com uma alegria e esperança impossíveis de não tocar emocionalmente todos os que tiveram a possibilidade de assistir à actuação desse grupo.

A Pós-Graduação iniciou-se formalmente no dia seguinte, 10 de Abril, com as primeiras aulas.

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Cuidados Continuados: mais de um terço dos doentes morre no primeiro mês de internamento

Abr 7, 2010

Mais de um terço dos doentes que deram entrada na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) em 2009 morreu no primeiro mês de internamento.  Os números são do relatório anual da rede que indica também que a maioria das pessoas apoiadas pela RNCCI são idosas, pobres, com baixa escolaridade e “pouca saúde”.

 

A versão integral do Relatório pode ser consultada aqui.

Segundo o documento, registaram-se 2779 óbitos, o que representa 13% dos utentes assistidos e 18% (9,1% em 2008) do total de doentes que saíram da rede em 2009. 

Considerando todos os óbitos, 17% ocorrem nos primeiros 10 dias de internamento (17,8% em 2008) e 36% no primeiro mês (38,8 % em 2008).

Mesmo excluindo as unidades de cuidados paliativos, em que a mortalidade é muito superior, há uma percentagem de 11% de óbitos nos primeiros 10 dias de internamento e 29 % no primeiro mês.

Segundo a coordenadora da RNCCI, “ainda existem muitos óbitos nas estruturas de internamento da rede”, apontando como uma das razões para esta situação haver pessoas que “chegam à rede em situações extremamente tardias, em que já quase nada se consegue fazer”.

“As pessoas são referenciadas para a rede numa situação já muito precária e sem o mínimo de avaliação do local para onde deviam ser referenciadas. Nós temos pessoas a serem referenciadas para convalescença, que também têm um elevado número de óbitos”, sustentou.

Por outro lado, o tempo que demoram nos hospitais sem serem referenciados também pode contribuir para esta situação, acrescentou.

A percentagem de utentes em Unidades de Cuidados Paliativos em 2008 foi de cinco % do total de assistidos (645) na rede e em 2009 foi de 10 % (2018 assistidos). As mortes nestas unidades em 2009 correspondem a 34 % do total dos óbitos ocorridos na RNCCI.

“Na rede não tratamos doenças, tratamos pessoas a quem queremos reabilitar”, disse a coordenadora, que acrescentou: “As pessoas têm recorrido cada vez mais às urgências quando deviam ter um médico de família que as mantivesse estáveis e equipas no domicílio que as acompanhassem”.

Inês Guerreiro defendeu que se deve evitar a ida aos hospitais: “Estudos científicos revelam que cada internamento hospitalar leva a que uma pessoa idosa perca entre 25 a 55% das suas capacidades”.

“Isto leva-nos a concluir que cada pessoa que sai do hospital sai doente”, disse, comentando que, no caso das pessoas idosas, “um dia a mais no hospital é um dia a menos na vertical”.

O relatório indica que a família constitui o principal suporte dos utentes referenciados para a rede (52 % em 2009 e 67 % em 2008), seguido da ajuda de técnicos de saúde (11 % em 2009 contra cinco % em 2008).

A ajuda domiciliária, que representava 24% em 2008, é agora 11%. Em 2008, os utentes apoiados em Centro de Dia representavam 10% e eram metade em 2009.

Os principais tipos de apoio estão relacionados com a alimentação, a higiene pessoal, a roupa de casa e os medicamentos.
O número de utentes assistidos em 2009, comparativamente com 2008, cresceu de 13 457 para 20 692, representando um acréscimo de 54%.

Aumento dos utentes com mais de 80 anos

Segundo Inês Guerreiro, 80,5% dos utentes referenciados na rede têm mais de 65 anos e 42% mais de 80 anos. A maior parte vive com a família, que, muitas vezes, também tem uma idade avançada, e 21% vivem sozinhos.

O relatório da RNCCI de 2009, a que a agência Lusa teve acesso, indica que houve um aumento dos utentes com mais de 80 anos no ano passado (39 por cento em 2008), o que pressupõe “situações de menor autonomia e de maior dificuldade de recuperação”.

Inês Guerreiro adiantou que 35% das pessoas atendidas em 2009 eram analfabetas e 55% tinham apenas seis anos de escolaridade. 

Lusa

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