A HISTÓRIA

Jun 23, 2015

Em 2009, reunindo um grupo de pessoas diretamente ligadas ao trabalho que estava a ser desenvolvido num Lar de Idosos, foi constituída a Associação Amigos da Grande Idade – Inovação e Desenvolvimento.

Estávamos, quase todos, num período de deslumbramento, tal era o êxito que algumas iniciativas desenvolvidas no interior de um lar de idosos tinham atingido, projetando-nos para um nível de inovação e qualidade que na altura era completamente desconhecido e mesmo estranho. Todas as iniciativas tinham um pilar principal: determinar indicadores para avaliação do trabalho que se realizava.

Avaliaram-se o número de quedas, o número de ulceras de pressão, o número de recursos à urgência hospitalar, o número de dias de internamento em Hospitais e os custos e as receitas do Lar de idosos. Compararam-se esses números que eram o resultado da intervenção em dois anos feita num Lar com os resultados que existiam dos últimos dez anos de atividade desse Lar.

Concluiu-se de imediato que os resultados eram completamente surpreendentes.

Diminuíram-se em mais de 70% o número de ulceras de pressão, em cerca de 50% o número de quedas, em praticamente 90% o número de recursos às urgências hospitalares e dos dias de internamento em Hospital. Mais que isso: aumentaram as receitas com introdução de novas ofertas e diminuíram significativamente os custos, mesmo sem autonomia funcional nas decisões mais importantes, no planeamento e na estratégia da organização.

Todo o processo está devidamente documentado e talvez neste local de opinião possa vir a ser descrito mas será, como se entende, muito demorado pelo pormenor que encerra cada uma das intervenções em cada um dos indicadores. Mas, no fundo, o Curso de Gestão Organizacional de Lares de Idosos e Casas de Repouso, que a Associação passou a desenvolver, descreve, na maior parte dos casos, os processos introduzidos.

O resultado desta intervenção projetou-nos, primeiro para os fóruns destinados à saúde, na medida em que inicialmente atribuímos este êxito à gestão feita num lar centrada no Enfermeiro. Isso fez-nos vencer vários concursos de pósteres em vários congressos nacionais. Em segundo projetou-nos para a investigação, tendo sido apadrinhados pela Escola Nacional de Saúde Publica e pelo ISCTE de uma forma informal, é certo, mas com toda a relevância que foi atribuída a esse acontecimento. Em terceiro abriu-nos a porta do envelhecimento, demonstrando que é possível transformar os lares de idosos, envelhecer melhor e conseguir oferecer o cuidado mais essencial e o serviço mais fundamental: contribuir para a felicidade das pessoas idosas.

Rapidamente todo este trabalho teve repercussões e replicou-se em vários projetos: numa tese de mestrado que, pela primeira vez em Portugal, determinava os indicadores para avaliar a qualidade do desempenho do enfermeiro em lares de idosos, num projeto aprovado e publicado no Banco Europeu de Inovação em Saúde, na constituição da Associação Amigos da Grande Idade e na promoção do Curso de Gestão Organizacional de Lares de Casas de Repouso que ainda hoje se desenvolve e já formou mais de 1000 pessoas.

A Associação Amigos da Grande Idade veio a ultrapassar todas as expectativas. Quando nasceu teve dois princípios fundamentais: não ser IPSS por não aceitar as obrigações decorrentes desse enquadramento que obrigam a estatutos feitos por corporações com interesses duvidosos e que pretendem apenas viver á custa dos dinheiros públicos e do financiamento descontrolado e muitas vezes escandaloso e desconstruir o discurso dos pobrezinhos, dos carenciados, fugindo à batalha que é a caça aos mais necessitados. A Associação impôs-se como uma entidade com um discurso diferente, revolucionário, visionário e provocador, colocando tudo em questão mesmo que isso colocasse a própria Associação em dificuldades de desenvolvimento.

Partimos do princípio que viver mais anos é uma conquista da humanidade e não deve ser causa de indignidade e razão para justificar distribuidores de peixe que se recusam a fornecer canas de pesca.

Com este discurso e com a convicção de quem pode mudar tudo ou pelo menos contribuir para a mudança conseguimos marcar presença relevante na construção de um envelhecimento mais realizado, mais funcional e mais feliz. Tivemos a oportunidade de atingir alguns fóruns de discussão das questões referentes ao envelhecimento. Chegámos às principais personalidades que discutem estas questões encontrando muita motivação mas também muita resignação e muita confusão. Percebemos cedo que tudo estava para discutir e que tudo necessitava de ser colocado em causa.

Construímos sozinhos, sem qualquer apoio formal ou institucional um dos principais portais de divulgação de opinião, de influência, de estudo e conhecimento. Lançamos uma revista científica sem paranoias próprias do conhecimento superior e inquestionável dando oportunidade a todos, mesmo aos textos mais humildes e simples de chegarem à luz do dia. Uma revista hoje consultada por cerca de 400 pessoas diariamente. Mantivemos uma intensa atividade de formação com o grande êxito do Curso de Gestão Organizacional de Lares de Idosos falando numa linguagem prática assente no conhecimento e na evidencia cientifica mas relacionada sempre com aquilo que necessitam que façamos no terreno, no trabalho diário dentro e fora das instituições. Promovemos formação superior através de Pós Graduações que coordenamos operacionalmente e cientificamente em parceria com entidades de ensino superior. Organizámos dois dos maiores congressos feitos em Portugal sobre envelhecimento com personalidades de todos os quadrantes científicos, políticos, económicos colocando a refletir muitas das vozes nacionais mais conhecidas sobre aquilo que é hoje considerada a maior revolução demográfica da história. Pelo meio participamos em centenas de eventos levando e defendendo sempre a nossa independente opinião, promovemos dezenas de outros eventos no modelo de workshops, jornadas científicas, seminários e reuniões de trabalho. Visitámos periodicamente a Assembleia da Republica encontrando interlocutores em todas as forças politicas ali representadas, editámos muitas centenas de textos, dois livros e participámos noutros tantos de outros autores. Chegámos à Assembleia da República, apresentando formalmente as Recomendações para a Longevidade com a participação da Comissão Social, da Presidência da Assembleia e de todas as forças politicas ali representadas.

Sem querer o trabalho que se iniciou em 2003 num Lar de Idosos lançou esta associação que agora abre também esta oportunidade de todos darem a sua opinião e a verem publicada num portal com mais de 600 visitas diárias em Portugal e no Estrangeiro.

Mas acima de tudo e algo que nunca esquecemos e nunca deixámos de colocar em primeiro lugar, estamos orgulhosos de todo este trabalho que se iniciou com a intervenção num Lar de idosos que hoje marca a diferença e se distingue no país, contribuiu de forma exemplar para que os residentes, trabalhadores e colaboradores desse lar sejam mais felizes, mais realizados e mais convictos de que podemos viver mais anos e melhor durante esses anos. Porque para além de todo o trabalho que possamos realizar em entidades, instituições, academias, institutos, universidades e noutros locais devemos sempre desejar que isso se reflita na qualidade de vida das pessoas idosas que são a nossa base de reflexão e a justificação para os serviços, ofertas e cuidados que promovemos.

Este texto inaugura o meu humilde espaço de opinião no portal da Associação Amigos da Grande Idade.

 

Rui Fontes (rmsfontes@sapo.pt)

Coordenador de Lar de Idosos

Presidente da Associação Amigos da Grande Idade

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Felicidade e Cidadania

Jun 11, 2015

“Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa – salvar a humanidade”

Almada Negreiros

O conceito de cidadania, que remonta à polis grega, remete tanto para a normatividade como para a participação política e social. Associado aos debates sobre a emergência acentuada do individualismo nas sociedades democráticas, assume particular importância perceber quais os valores de cidadania a que os cidadãos dão predominância. Nos dados recolhidos pelo Inquérito Social Europeu2 , sobre o que é que os europeus consideram ser importante para se ser um bom cidadão, os portugueses consideraram muito importante, por esta ordem:

1º “Ter opinião própria independentemente da opinião dos outros” (85,2%);
2º “Ajudar os que estão em pior situação” (85,1%)
3º “Obedecer a todas as leis e regulamentos” (70,9%);
4º “Votar sempre nas eleições” (64,5%);
5º “Trabalhar em organizações de voluntariado“ (53,2%);
6º “Ser uma pessoa politicamente activa” (38,1%).

O padrão de resposta aos seis indicadores é idêntico em todos os países e o Índice sintético de cidadania, que agrega a resposta conjunta aos seis indicadores, coloca Portugal entre os países europeus com pontuações mais elevadas, registando a Espanha, a Bélgica e a República Checa, as mais baixas.

Entre nós, é na região Centro que se regista o valor mais elevado e no Algarve, o mais baixo. Os mais velhos, homens e mulheres, com mais de 50 anos são, também, os que apresentam valores mais elevados do índice de cidadania.

Portugal está entre os países europeus que mais concordam que os “cidadãos deviam ocupar pelo menos algum do seu tempo livre a ajudar os outros” (86,4%)3 . Não obstante, os portugueses são os que mais dizem que “não ajudaram ninguém nos últimos seis meses” (61,5%)4 . Ou seja, invocando o célebre aforismo: “bem prega Frei Tomás: faz o que eu digo, não faças o que eu faço!”. É em Lisboa e Vale do Tejo que a colaboração com organizações de voluntariado e de caridade é mais elevada, no entanto, quando se trata de ajudar activamente alguém, são os algarvios que mais dizem que o fazem regularmente (31,7%).

É interessante verificar a relação entre a importância atribuída aos valores de cidadania e a felicidade:

Importância dada à Cidadania e Felicidade na Europa

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Como evidencia a figura, Portugal situa-se no quadrante “+Cidadania e – Felicidade”, acompanhado pela Itália, Grécia e Polónia. No quadrante dos países “mais felizes” e que dão mais “importância à cidadania”, encontram-se os países escandinavos e o Luxemburgo. Como vimos nas crónicas anteriores, os países escandinavos, para além de registarem os valores mais elevados de felicidade, são também mais confiantes e mais optimistas. Sejam felizes, busquem a vossa felicidade.

Publicada em 01-06-2015 | Diário as beiras – Opinião, pág 25

http://www.asbeiras.pt/2015/06/opiniao-felicidade-e-cidadania/

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Direção da Associação Amigos da Grande Idade reúne com partido Comunista Português

Jun 11, 2015

Direção da Associação Amigos da Grande Idade reúne com partido Comunista Português para discutir propostas políticas para área social, na habitual ronda pelos partidos políticos representados na Assembleia da Republica.

A Direção da associação Amigos da Grande Idade, representada pelo Presidente e Vice-Presidente, iniciaram a ronda de reuniões pelos diversos partidos políticos que se vão apresentar às próximas eleições, tentando perceber as propostas políticas de cada um deles para a área social. Há 6 anos fizemos este trabalho, apresentando um relatório sobre a nossa perceção em relação às propostas políticas dos principais partidos políticos para as áreas da saúde e social. Esse relatório serviu de base de trabalho para alguns cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento em algumas entidades académicas nacionais, o que muito nos orgulha.

Agora vamos fazer esta ronda de reuniões, sujeitando-nos à simpatia e disponibilidade das Direções nacionais dos Partidos que nem sempre facilitam este acesso.

Começamos pelo partido Comunista tendo sido gentilmente recebidos na sua sede nacional e tivemos a oportunidade de perceber as preocupações deste partido em relação á área social, centralizando-se essencialmente na incapacidade do Estado responmd4r ás necessidades dos mais necessitados e às condições de pobreza das pessoas mais velhas.

O Partido Comunista Português entende que os cuidados e serviços às pessoas idosas são uma obrigação exclusivamente do Estado que deve dar prioridade às questões sociais em detrimento de preocupações ou objetivos financeiros impostos por terceiros.

Ficou claro a posição do partido Comunista Português que exige um maior investimento na área social e que refere que as maiores dificuldades das pessoas idosas tem a ver com a sua incapacidade financeira por falta de investimento nestas pessoas e nesta área.

O partido comunista mostra-se preocupado também com a falta de estrutura representativa das pessoas idosas que não existe como parceiro social e apresenta-se contra a delegação das funções do Estado noutras entidades, sendo apenas um financiador sem garantir mecanismos de fiscalização.

O Partido Comunista Português fez-se representar por Fernanda Cardoso Mateus e Jorge Figueiredo Silva.

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A Opinião dos Portugueses

Mai 18, 2015
  • 2002 – 2012: Base de dados acumulada que regista os dados recolhidos nas edições de 2002, 2004, 2006, 2008, 2010 e 2012*
  • 2006: Flourishing Across Europe**
    • optimismo na Europa e em Portugal, sem sombra da crise económica que se avizinhava
    • Taxa de desemprego= 7,7%; desemprego médio de 2002 a 2010=7,7%
    • Taxa de crescimento=1,27; crescimento médio de 2002 a 2010=0,33%
    • 1º governo de Sócrates, com maioria absoluta (2005) na sequência da dissolução da AR
  • 2012: Crise económica profunda
    • Taxa de desemprego em 2012=15,7%; desemprego médio de 2009 a 2012= 12,1%
    • Taxa de crescimento em 2002=-2,84; crescimento médio de 2009 a 2012= -1,27
    • Portugal sob tutela da Troika
    • Governo de Passos Coelho/Paulo Portas (desde 2011)

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A mesa resplandecia; e as tapeçarias, representando massas de arvoredos, punham em redor como a sombra escura de um retiro silvestre onde, por um capricho, se tivessem acendido candelabros de prata. Os vinhos saíam da frasqueira preciosa da Ramalhete. De todas as coisas da Terra e do Céu se grulhava com fantasia – menos de «política portuguesa», considerada conversa indecorosa entre pessoas de gosto”

Eça de Queiroz (Os Maias)

O interesse pela política é um indicados que funciona como barómetro da preocupação dos cidadãos pela “coisa pública”. À resposta “De um modo geral, qual o seu interesse pela política?”, colocada pelo European Social Survey, os reuropeus responderam da seguinte forma:

img15Como se pode observar, entre os 30 países analisados, os portugueses são os que mais afirmam que não se interessam pela política (39%) contra os 19% do total. O ditado popular “a minha política é o trabalho”, parece ter uma ancoragem forte em Portugal, onde aliás, uma expressão equivalente, ganhou um inusitado mediatismo quando o Primeiro-ministro na altura – Cavaco Silva –, solicitado a pronunciar-se sobre a Política nacional, então relativamente “turbulenta”, terá respondido: “deixem-me trabalhar”, entendido pela opinião pública “publicada” como querendo dizer, precisamente, que a sua política era o trabalho. A posição relativa de Portugal no contexto europeu deve ser um motivo de preocupação e de chamada de atenção para o poder político, pois se juntarmos a estes resultados a confiança nas instituições políticas, vemos que Portugal também se destaca por ser um dos países com as taxas mais elevadas de desconfiança. Confiam apenas moderadamente na Polícia (5,2) e desconfiam da Assembleia da República (3,4) e da Justiça (3,8). Os Políticos (2,2) e os Partidos políticos (2,1) merecem níveis de desconfiança bastante elevados. Estes valores contrastam, claramente, com os níveis de confiança institucional dos cidadãos dos países escandinavos, mais confiantes mas também, como vimos na figura anterior, mais interessados pela política:

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Ou seja, a confiança institucional é tributária do interesse pela política e vice-versa, como podemos ver melhor na figura seguinte que cruza o índice de confiança nas instituições políticas, que agrega a resposta conjunta às cinco instituições com o interesse pela política:

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Em conclusão, os portugueses não se interessam pela política mas, quando abrem a janela e as “políticas” lhe entram pela casa adentro, queixam-se dos políticos que elegeram mas em que não confiam. Outra coisa não seria de esperar de um povo que sabe muito mais de futebol do que dos seus direitos, manifestando-se mais perante um “erro do árbitro” do que do atropelo de direitos cívico-políticos. Como muito bem observou Eça de Queiroz há mais de 100 anos.

Fonte: European Social Survey http://www.europeansocialsurvey.org/

* Os dados de 2014 deverão estar disponíveis até ao fim de 2015.

** Flourishing Across Europe: Application of a New Conceptual Framework for Defining Well-Being: http://www.researchgate.net/publication/234162178_Flourishing_Across_Europe_Application_of_a_New_Conceptual_Framework_for_Defining_Well-Being

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Felicidade e Optimismo

Mai 18, 2015

“[cada um vive] para a satisfação imediata, mas, ao mesmo tempo, vive para uma sociedade hedonista pura. As pessoas querem essa satisfação, mas, ao mesmo tempo, vivem extremamente inquietas quanto ao futuro, com medo do desemprego. Porque a globalização fomenta estes medos. As pessoas estão preocupadas com as suas reformas”.

Giles Lipovetsky2

Num estudo muito citado publicado no Psychological Bulletin em 1967, Warner Wilson concluíu que as pessoas mais optimistas, entendendo-se o optimismo como tendência generalizada para esperar resultados favoráveis, são as que mais facilmente estabelecem metas que actuam como normas ou aspirações, cujo grau de consecução influencia o bem-estar subjectivo. Como disse Churchill: “o pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o optimista vê oportunidade em cada dificuldade”.

A busca da felicidade é um objectivo optimista que coloca nos ombros dos indivíduos a responsabilidade de serem felizes. O papel da “divina providência” nesse empreendimento, invocado pelos crentes, parece ser diminuto, pois a religião, tem um impacto diminuto nesse desígnio, dando razão a Sartre quando afirmava, e cito de memória, que Deus criou o homem mas, ao dotá-lo de livre-arbítrio, eximiu-se à responsabilidade pelo seu destino. A busca da felicidade é um projecto de vida e a vida, como disse John Lennon, “é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro”.

Nesta perspectiva, será que há relação entre a felicidade e o optimismo? Serão os países com níveis de felicidade mais elevados também mais optimistas ou vice-versa? Na figura seguinte, que mostra essa relação, podemos observar que a correlação é positiva – quanto mais optimista, mais feliz – e que Portugal se situa no quadrante dos menos felizes e menos optimistas. Note-se o caso particular da Ucrânia que regista níveis de felicidade inferiores à média e de optimismo superiores. Os desenvolvimentos posteriores a 2012, certamente, já terão alterado esta relação.

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A tendência é para que os países “mais felizes”, com a Escandinávia em destaque, sejam, também, mais optimistas relativamente ao futuro. Tal como na confiança, que vimos em crónica anterior, Portugal regista valores de que não nos podemos orgulhar. Será um atavismo dos portugueses ou é uma situação meramente conjuntural? O “mal” parece antigo, a fazer fé neste excerto de Pátria, escrito por Guerra Junqueiro há mais de 100 anos (1896): “um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo […] um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai […] Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter”.

Apesar disso, sejamos optimistas pois, como disse Fernando Pessoa através de Bernardo Soares, “Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for”. É urgente “torcer o destino”, como canta Sérgio Godinho. Sejam felizes, busquem a vossa felicidade.

Publicada em 08-05-2015 | Diário as beiras – Opinião, pág 16

http://www.asbeiras.pt/Edicao_Diaria/diario.php?Link=9608bc9db0aa1ccf316a82194ab4b504%2624567%26CLT0%26TMP10000909%2620150508

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